Pular para o conteúdo

Periquiteira · Ciência brasileira · UFRJ

Revolução
Biotecnológica
Nacional.

Conheça a Periquiteira (Trema micranthum), a árvore nativa do Brasil que produz Canabidiol com zero barreiras jurídicas. Pesquisadores da UFRJ descobrem a substância na planta, que tem grande potencial na medicina canabinoide, livre de THC e sem restrições legais.

Descubra como a Periquiteira está transformando a ciência e o mercado de fitoterápicos no país.

Saiba mais

Pureza fitoquímica 0% THC

Ciência brasileira · UFRJ · Instituto de Biologia

Cientistas encontram Canabidiol (CBD) na Periquiteira, árvore nativa do Brasil

Descoberta liderada por pesquisadores da UFRJ revela que a Trema micranthum Blume produz CBD e tem uma vantagem revolucionária sobre a Cannabis: a ausência total de THC, o que zera as barreiras jurídicas para o seu cultivo industrial e medicinal.

O mercado da medicina canabinoide no Brasil acaba de ganhar um aliado inesperado e com DNA 100% nacional. Pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram a presença de Canabidiol (CBD) nos frutos e flores da Trema micranthum Blume, uma árvore popularmente conhecida no país como periquiteira, candiúva ou pau-pólvora.

A descoberta, coordenada pelo biólogo molecular Rodrigo Soares Moura Neto, promete provocar uma verdadeira revolução na produção de fitoterápicos no país. Isso porque a periquiteira oferece uma solução científica para o maior gargalo do setor: a segurança jurídica para o plantio em larga escala.

Coordenação científica

Rodrigo Soares Moura Neto

Biólogo molecular do Instituto de Biologia da UFRJ.

Onde o CBD aparece

Frutos e flores

Partes da planta em que a substância foi identificada.

Segurança regulatória

Fora da Lei de Drogas

Sem THC, a espécie não recai sobre a Lei nº 11.343/2006.

Rotas bioquímicas · Família Cannabaceae

A mesma família botânica,
sem os entraves do THC.

Família Cannabaceae

A mesma família, mas sem o “entrave” do THC

A explicação para a periquiteira produzir compostos medicinais semelhantes aos da maconha está na evolução biológica. A espécie pertence à família Cannabaceae, a mesma da Cannabis sativa. Ao mapearem o material genético da planta brasileira, os cientistas descobriram que ela compartilha rotas bioquímicas parecidas, resultando na produção de CBD.

Análise química · THC

0%

Nenhum vestígio de tetrahidrocanabinol nas amostras da periquiteira.

O detalhe que muda completamente o cenário econômico e legal é justamente esse: as análises químicas da periquiteira apontaram zero vestígios de Tetrahidrocanabinol (THC), a substância responsável pelos efeitos psicoativos da maconha.

Por não possuir propriedades entorpecentes ou alucinógenas, a periquiteira não entra nas restrições da Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006). Na prática, o seu cultivo, processamento e comercialização encontram-se livres das barreiras legais e do complexo processo de judicialização que hoje encarece e limita os produtos à base de Cannabis no Brasil.

Mata Atlântica · Cerrado

Potencial para baratear o acesso à saúde

Atualmente, a maior parte do óleo de CBD utilizado por pacientes brasileiros para tratar condições como epilepsia refratária, ansiedade, dores crônicas e Parkinson é importada ou produzida sob regras de segurança física ultra-estritas, o que eleva os preços finais no mercado.

Destino pretendido

SUS

O objetivo final da pesquisa é viabilizar o fornecimento em massa de canabidiol de baixo custo para a rede pública de saúde.

A periquiteira, por outro lado, é uma planta nativa do continente americano, amplamente distribuída pelo território brasileiro — especialmente nas regiões de Mata Atlântica e Cerrado. Por ser uma espécie pioneira, ela cresce com extrema rapidez, é altamente resistente e costuma ser utilizada de forma simples em projetos de reflorestamento.

Com as pesquisas avançando no ambiente acadêmico, o mercado nacional começa a olhar com atenção para o campo. A periquiteira deixa de ser apenas uma árvore comum da flora brasileira para se posicionar como a grande promessa da biotecnologia medicinal do país.

O próximo passo do grupo de pesquisa da UFRJ, que recebeu apoio financeiro da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), é focar nos processos de extração e na caracterização química fina do CBD encontrado na planta.

Da biodiversidade ao tratamento popular

A trajetória para transformar a Periquiteira em biofábrica pública

Faperj · UFRJ · Instituto de Biologia

  1. 1 Fase concluída

    Identificação botânica

    O mapeamento do material genético e as análises químicas confirmaram a produção de CBD nos frutos e flores da Trema micranthum Blume — e a ausência de THC.

    Prova de conceito confirmada

  2. 2 Fase em curso

    Extração e caracterização

    Com apoio da Faperj, o grupo trabalha nos processos de extração e na caracterização química fina do canabidiol encontrado na planta.

    Padronização analítica

  3. 3 Horizonte

    Distribuição no SUS

    Confirmada a viabilidade, a árvore pode se tornar uma biofábrica de canabidiol de baixo custo, capaz de abastecer em massa a rede pública de saúde.

    Universalização terapêutica

Plantio e restauração ecológica

Espécie pioneira e de crescimento rápido, a periquiteira já é usada em projetos de reflorestamento: o mesmo plantio que recupera matas ciliares e encostas pode gerar o insumo medicinal.

Dr. Rodrigo Moura Neto, de jaleco branco, em seu laboratório na UFRJ
Dr. Rodrigo Moura Neto · Instituto de Biologia, UFRJ

Entrevista exclusiva

O futuro da pesquisa com a Trema micranthum

Para entender a fundo o real potencial dessa descoberta, os desafios metodológicos e os próximos passos rumo à aplicação médica, conversamos com exclusividade com o Dr. Rodrigo Moura Neto.

Professor e pesquisador do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Dr. Rodrigo lidera, com sua equipe, os estudos pioneiros sobre a espécie no país.

Nesta conversa fundamental, ele esclarece a adequação técnica do nome científico da planta, analisa o cenário regulatório e responde, com o rigor técnico da academia, aos debates que cercam o mapeamento químico da Periquiteira. Confira abaixo:

  1. Doutor, para que o público leigo entenda o impacto do seu trabalho: o que motivou a sua equipe na UFRJ a olhar especificamente para a Trema micranthum (Periquiteira) como potencial fonte de canabinoides?

    Dr. Rodrigo Moura Neto — Eu trabalho com genética e tive a oportunidade de trabalhar em estreita colaboração com os peritos criminais da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Um desses trabalhos foi o estudo genético da Cannabis sativa, visando à inteligência policial. Caracterizar geneticamente a maconha apreendida poderia, em tese, ajudar a determinar a origem desse material. Assim, estudamos geneticamente todos os membros da família Cannabaceae, incluindo a Trema.

    Dessa forma, acompanhava a literatura sobre as Cannabaceae, e em um desses artigos, a Trema orientalis, da Tailândia, apresentou um canabinoide chamado cannabinol. Logo me perguntei se a nossa Trema, do Brasil, teria algum tipo de canabinoide. O que testamos e verificamos, em seus extratos, canabidiol (CBD). Mais tarde testou negativo para THC. Foi assim que o trabalho começou.

  2. A taxonomia da planta mudou recentemente de micrantha para micranthum. Como esses pequenos ajustes técnicos refletem o amadurecimento e a precisão das pesquisas atuais sobre a espécie?

    RMN — Na realidade, não houve mudança na taxonomia, e sim um ajuste nas regras de concordância de gênero no latim científico. Os especialistas dizem que “trema” é uma palavra neutra e que “micranta” seria feminina. Para concordar, mudou-se para “micranthum” por ser uma palavra neutra no latim científico.

  3. O grande diferencial amplamente divulgado é que a Periquiteira oferece o CBD puro. Como a ausência ou traços mínimos de THC impactam os entraves jurídicos e o custo de produção de medicamentos no Brasil?

    RMN — É certo que isso impacta juridicamente, pois retira barreiras importantes à pesquisa científica. Quanto aos custos de produção, ainda não podemos mensurá-los. Ainda não sabemos como podemos explorar comercialmente a Trema, uma planta nativa, com a produção de CBD ainda por determinar.

  4. Muitos veículos tratam a Periquiteira como “a maconha brasileira” ou “erva daninha”. Como o senhor enxerga esse paralelo da cultura popular com a realidade botânica da família Cannabaceae?

    RMN — O nome “maconha” está estigmatizado, não temos como fugir disso. Melhor seria olhar para o futuro, estudar a Trema cientificamente e determinar seu verdadeiro potencial econômico para produzir CBD.

  5. Dr. Rodrigo, como sabemos, a ciência avança por meio de debates e replicações de resultados. Algumas publicações internacionais recentes levantaram discussões metodológicas questionando se a presença de CBD na Trema micranthum não poderia ser confundida com outros compostos fenólicos da planta. Como a sua linha de pesquisa na UFRJ tem respondido a esse ceticismo natural da comunidade científica e quais tecnologias mais precisas vocês têm usado para blindar a exatidão dessa descoberta?

    RMN — A planta Trema, como qualquer outra, responde ao ambiente: tipo de solo, período de luz, temperatura, umidade, regime de chuva, entre outros parâmetros. A Trema pode variar sua fisiologia em relação à produção de CBD.

    Nós já isolamos parte do gene de Trema responsável pela síntese de CBD. Não temos dúvidas quanto a isso.

    Mas a Trema é uma verdadeira incógnita quanto à sua resposta ao ambiente. Ainda estamos no começo. Compare a Cannabis sativa, com milhares de anos de melhoramento genético, com a nossa Trema. Nativa e presente em diversos biomas distintos, do México ao Sul do Brasil.

  6. Quais são os principais gargalos ou desafios que a pesquisa enfrenta hoje (sejam de financiamento, insumos ou tecnologia) para avançar da análise laboratorial para os testes biológicos e clínicos?

    RMN — No início, estabelecer os princípios de crescimento em laboratório, que permitiriam estudar, de forma controlada e sistemática, a Trema.

  7. Para encerrar, qual é o seu maior sonho ou expectativa para o ecossistema da Trema micranthum no Brasil nos próximos 5 a 10 anos?

    RMN — O desenvolvimento da pesquisa pode trazer ao mercado um produto nacional, de qualidade e barato, de modo a estabelecer o verdadeiro potencial farmacológico desses canabinoides, que poderão ser usados em substituição ao CBD da Cannabis sativa.

Equipe de pesquisa

Quem está colaborando com o estudo

UFRJ · Jardim Botânico do Rio

  • Professora

    Profa. Rosane Silva

    Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ.

  • Professora

    Profa. Cassia Sakuragui

    Instituto de Biologia, UFRJ, e Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

  • Doutorando

    Lucas Tavares Lima

    Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ.

  • Graduanda

    Bia Prieto D’Annunzio

    Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ.